A Nova Terra!

domingo, 28 de dezembro de 2008
Pessoal...

Meu projeto pessoal, meu filhinho está em processo de gestação. Sei que não será de uma hora pra outra. Espero terminar esse projeto até o final do semestre. Porém vou publicar o Prólogo para vocês sentirem o gostinho da minha estréia literária:)

Beijos,

PRÓLOGO

O encontro

Eu estava muito cansada. A caminhada da praia de Copacabana até o local indicado para a missão estava tão clara em meu cérebro como se fosse um holograma. O lugar era um bar, enfiado no meio da cidade a vários kilômetros dentro de um bairro simples e pouco iluminado.
Era noite, provavelmente bem tarde, pois só vi algumas pessoas olhando assustadas para mim enquanto caminhava. Lembrei que estava sem roupa.
- Droga! – sussurrei.
Teria que procurar algo para vestir em algum lugar. Pulei um muro baixo, feito de tijolos á mostra. Lá havia um varal e para a minha alegria várias roupas estendidas. Olhei procurando algo que pudesse vestir. Escolhi uma calça jeans velha e confortável, camiseta e chinelos um pouco maiores do que meus pés, talvez dois números.
- Bem, melhor que nada. – resmunguei enquanto caminhava, meus dedos escorregando no espaço que sobrava entre eles.
Caminhei mais um pouco, tentando não chamar atenção. Mas eu era visivelmente diferente das pessoas a minha volta. Minha aparência é delicada, tenho olhos castanhos claros, quase mel e cabelos compridos, meio rebeldes nas pontas. Na época que eu nasci, eu era comum, já que todos são perfeitos e adaptados ao meio. Não haviam imperfeições físicas no futuro.
Enquanto andava, tive minha atenção desviada por uma mulher esquisita. Suas costas eram estranhas, desproporcionais, dando-lhe a aparência de um quadrado. Ela brigava com outra pessoa não menos interessante. Era um homem, um pouco mais alto que ela, com pele escura, quase marrom, olhos negros e confusos e barba por fazer. Parecia estar bêbado. Todos eram tão diferentes. Cada pessoa que eu olhava, mesmo à distância me chamava a atenção. Os cheiros incomodavam meu nariz. Sujeira, urina e comida estragada. Torci o nariz com nojo. No futuro tudo era incrivelmente limpo. Tentei não pensar em distrações e continuei andando em direção ao meu objetivo.
Algumas pessoas falavam enquanto eu andava. Palavras soltas, entre vozes murchas, sussuros.
– Oi gatinha!; Quem será ela?; Que belezura!
Me misturei à paisagem, andando devagar e procurando me desviar das pessoas. Não queria perder meu target de vista e não queria ser obrigada a me defender, correndo o risco de ferir ninguém.
Entrei no bar. Era pequeno, um pouco escuro, e dentro do possível limpo. As paredes eram pintadas em um vermelho descascado, com um longo balcão á esquerda, seguida de pequenas mesas vermelhas de ferro espalhadas pelos lados. Como era bem tarde, o lugar estava provavelmente fechando. Algumas poucas pessoas ainda estavam sentadas nas mesas, falando alto, com copos nas mãos.
Procurei alguma direção. Sabia o lugar que deveria ir, mas não a pessoa que deveria encontrar. Virei meus olhos 360º pelo bar, focando cada rosto. Foi aí que eu vi uma pessoa diferente, saindo do que eu imaginei que fosse uma cozinha. Ele tinha olhos muito azuis. A tonalidade clara deles, lembrava o céu de verão de Titã. Fiquei por alguns segundos admirando aqueles olhos, esquecendo-me do porque estava ali. Quando o delírio passou, fiquei com raiva de mim mesma. Não deveria me distrair tão fácil. Afinal, eu não era a única que estava passando por esse tipo de situação. Minhas irmãs também deveriam estar confusas. Nós não tivemos escolha, iríamos nos arriscar a morrer uma longe das outras. Eu sentia falta de Shayyan e de suas mãos quentes segurando as minhas quando eu estava com medo. Evitei pensar demais e dei outra espiadela no rapaz à alguma distância de mim. Ele tinha sobrancelhas castanhas, que destacavam ainda mais os seus olhos azuis. Seus cabelos eram castanhos claros, lisos e desajeitamente arrumados.
- Poxa, como era bonito! – pensei.
Imaginei que com todo aquele cabelo solto não devia ser muito seguro comer naquela cozinha. Estranhei que um rapaz do séc. XXI pudesse ser tão diferente. Até no futuro ele seria notado. Fiquei mais algum tempo reparando nele. Como eu era besta de ficar "secando" alguém assim. Mas não pude evitar. Vi que seu rosto era delicadamente decorado com um pequeno nariz e sua boca era carnuda e viva.
Fui para o cantinho do bar, me sentando a uma distância razoável dele. Ele continuou com o seu trabalho, sem perceber a minha presença, indo até uma pessoa sentada fora do bar. Aproveitei e tentei me focar no que deveria fazer. Fechei os olhos rapidamente, tentando acessar as informações embutidas no chip que estava em meu cérebro. Fui interrompida por uma voz doce e baixa.
- Oi, moça, tudo bem ai? Precisa de alguma coisa? – ele me disse.
Olhei para cima. Uau! Ele era mais alto do que eu pensava. E era forte também, atlético melhor dizendo. Respirei fundo e olhei nos olhos azuis, procurando não dizer asneiras.
- Olá, tudo bem? Onde arrumo um copo de água?
- Eu pego pra você. Fica quietinha aqui, ta?
Balancei a cabeça concordando. Até pensei em sair correndo, mas minhas pernas não deixaram. Olhei as costas largas dele voltando para a cozinha e pensei novamente. Uau!
Tá bom. Agora que estava sem distrações, prometi para mim mesma que iria me concentrar. Fechei meus olhos mais uma vez e entrei em um universo particular. Era escuro e quente, sem nenhum barulho externo. Eu procurava um nome, algum indício de quem era o meu alvo. Palavras se formaram em meu cérebro, Henrique. Henrique Guerra. Era essa pessoa que eu deveria matar.
- Ei, moça, tudo bem aí? – fui interrompida pela voz de açúcar.
- Oi – disse suspirando. Que idiota eu era, pensei, ficar babando por um rapaz enquanto tinha tanta coisa importante para pensar. - Estou bem sim. Me diz uma coisa, qual é o teu nome? – já que não conseguia tirar os olhos daquele azul, resolvi ser educada.
- Henrique. – ele disse
Eu gelei! Não era possível! Eu devia estar tendo alucinações após a viagem no tempo.
- Qual seu sobrenome? – falei entre os dentes
- Guerra!

Tentativas

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
Eu não mudei muito nos últimos 10 anos. Fisicamente as mudanças são que eu emagreci e os cabelos estão a cada mês diferentes. Porém psicológicamente eu ainda sou aquela menininha de 17 anos sonhadora, romântica e esperançosa.

Esses dias tive uma aventura literária, lendo quase 1200 páginas de romance em menos de 1 semana. Deixei de comer, deixei de dormir, esqueci da vida. Por uma lado foi muito bom. Muito melhor do que ver filmes na televisão ou coisas do gênero. Outra porque eu acabei me sentindo tentada a buscar novamente a realização de um antigo sonho.

Algo que faz 1 década que estava esquecido nos meus dedos e presente apenas na minha memória. O meu filhinho, o meu primeiro livro, a minha grande história.
Nunca escrevi um livro antes. Sempre escrevi contos rápidos sem ligar que eles teriam muito mais história se eu parasse para desenvolve-los. Porém, a preguiça sempre bate mais forte nessas horas. Nesses dias não foi assim. Senti uma imensa necessidade de escrever, algo que não sentia a muitos anos. As palavras se formando na minha cabeça, meus dedos incapazes de seguir a mesma velocidade. Frustrante. Ao mesmo tempo, tenho tanto medo, porque essa história é antiga, criada por uma adolescente de 17 anos que vivia seu primeiro amor, ainda sem grandes lutas pessoais ou decepções. E se o meu cérebro de 27 anos não for capaz de exprimir toda a história? Ou, se minha atual visão das coisas estragar tudo?

Necessito de ajuda... hehe

Profissional se possível.

Dúvidas

domingo, 21 de dezembro de 2008
Do que somos feitos? Porque somos diferentes? No que se consiste a nossa existência? Faço essas perguntas a mim mesma o tempo todo. Sou muito diferente de tudo e de todos e hoje em dia não me importa mais. O caminho que eu escolhi é solitário, porém sincero. Meus dias são 40% reais e 60% de fantasia. Para cada etapa da minha vida, uma nova personagem de mim é criada, uma nova heróina, uma nova guerra. Sempre corro atrás de objetivos concretos, porém o meu caminho é trilhado com doses de magia e aventura. Sou um constante livro de histórias, criadas em minha cabeça para me tirar do "vazio" mundo real. A rotina me cansa, as pessoas também. Minha casa é meu refúgio, aqui tudo pode acontecer, aqui sou segura de mim, segura do meu mundo.
Não ligo por não me encaixar mais, não ligo por não ter com quem dividir minhas teorias sobre os sonhos que existem somente dentro de minha alma. Sou essa pessoa sonhadora, a mesma alma infantil de quando era criança. Não luto mais para o mundo me aceitar, pois hoje eu aceito a mim mesma. As palavras são minha companhia. Nelas encontro a força e a alegria de viver mais do que a vida pode oferecer. Sou de uma intensidade não humana, de uma sensibilidade extrema. Consigo viver cada frase lida, cada cena assistida, cada voz ouvida. E essas experiências, que podem não ser reais, se transformam em experiências minhas, trazendo ao meu dia-a-dia cores que a rotina me tira.

Como cheguei aqui?

terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Um coração sem batidas,
Uma cabeça sem pensamentos.

Totalmente vazia
A falta de sonhos
Na eterna rotina

Aguardo as horas no relógio
O conforme que me invade
A cada dia perde-se mais a inocência
E ganha-se a exigida imagem

Corro da maturidade
Mas ela insiste em me perseguir
Sinto o tempo passar
E as emoções a sumir

Os dias são curtos
Será que eu ainda sei como cheguei aqui?